Carta de Temer é um roteiro analítico sugestivo

A carta do vice-presidente Michel Temer para a presidente Dilma Rousseff – divulgada pela assessoria do palácio do Planalto após as sucessivas declarações de confiança dela – é um roteiro analítico sugestivo para quem quiser entender as dificuldades do governo de consolidar e manter a sua base de apoio no Congresso. Temer faz um diagnóstico bastante preciso e detalhado do modo como o governo de Dilma e do PT administra a sua política de alianças, ou seja, como fala em aliança mas trata os parceiros como subordinados que não merecem grande protagonismo no governo. Um prato cheio pra quem quiser ir mais fundo em aspectos da natureza da atual crise política que, como se sabe, já dura 12 meses.

Mudanças nas instituições e na cultura política dos brasileiros

Finalmente alguém entendeu o sentido estratégico para a democracia brasileira da Operação Lava Jato, e como isso está induzindo a uma profunda mudança na cultura política elitista, autoritária, anti-institucional que, muitas vezes, leva à passividade cívica. Bem ou mal o Brasil está mudando e a impunidade em face da corrupção está sendo enfrentada. Leia-se o artigo de Joaquim Falcão na Folha: Lava Jato muda a Justiça e a Advocacia

Um novo padrão de funcionamento dos órgãos de justiça

Quem acompanhou a entrevista (…) sobre a prisão de José Dirceu, talvez não tenha se dado conta de que um novo modelo de atuação dos órgãos de justiça criminal esteja em movimento. Tal como ocorreu nas outras investigações, e salvo alguns atritos pontuais, pode se notar como procuradores, delegados e investigadores trabalhando juntos são muito mais eficientes. A integração com o juiz Sérgio Moro também tem sido notável.

De alguma maneira eles lograram uma atuação conjunta absolutamente excepcional. Quem conhece um pouco como funciona a justiça no Brasil sabe que todos estes órgãos atuam de forma independente e através de conflitos na maioria das vezes. Alguns autores se referem a este fenômeno como um sistema “frouxamente articulado”. Outros acham que são arquipélagos compostos por ilhas institucionais sem nenhuma conexão. Somente aqueles com arraigados interesses corporativos acreditam que existe alguma racionalidade nisto.

Esta desarticulação é uma das principais razões da impunidade no Brasil. E é justamente essa quebra de padrão que nos permite antever que os acusados neste processo passarão por momentos difíceis para montar suas estratégias de defesa. Seria interessante que delegados e promotores adotassem a mesma estratégia nos processos criminais. (Publicado no Facebook)

Os lenços de papel

Tanta é a corrupção nos governos do PT que, como já se disse, os casos se encadeiam uns aos outros como lenços de papel. Quando você puxa um saem pelo menos três.  De uma caixinha de lenços para outra, a fileira parece tornar-se interminável.

Lembram-se do financiamento da carnaval da Beija Flor? Falou-se em 10 milhões de dólares. O dinheiro viria da ditadura da Guiné Equatorial. Buscar dinheiro para o carnaval no exterior, em uma ditadura, além disso dominando um povo miserável, parecia  em si um escândalo. Mas eis que as chamadas autoridades da Guiné negaram que tivessem dado tanto dinheiro ao carnaval. Disseram que  o dinheiro viria das empreiteiras brasileiras em  ação naquele país. O escândalo portanto se ampliou. E mais ainda, quando se informou que algumas das tais empresas estariam ligadas às fantásticas propinas  da Petrobrás. E logo a seguir vem a noticia de que o Lula tinha sido recebido com muitas festas na Guiné Equatorial em 2010.

Que o Lula, depois de seu governo, operou como lobista das empreiteiras em viagens à África é coisa sabida. Ele mesmo se pavoneou a respeito dizendo que em suas viagens desse período, pagas por empreiteiras, estava fazendo publicidade para empresas e produtos brasileiros. Na sua célebre tournée pela Africa, ainda no período oficial,  ele foi muito festejado na Guiné Equatorial. Na oportunidade, Amorim, então seu Ministro de Relações Exteriores, teria dito a jornalistas que estranharam a presença oficial do Brasil na Africa Equatorial, “business are business”.

Dilma (e Cristina) contra os “abutres”?!

Lembram-se de Dilma em seu discurso de posse ao falar dos estrangeiros  contra a Petrobrás? Claro, já sabíamos de um processo contra a Petrobrás e o governo federal em um tribunal de Nova Iorque. Mas agora o jornais noticiam que os “abutres” estão pressionando o Brasil e Argentina. Só faltava essa. Quem disse isso foi o ministro da economia Kicillof, prenunciando uma crise geral “de região”. Alguém deveria dizer ao ministro que para evitar aborrecimentos como estes é melhor pagar as contas em dia.

Com referência a Dilma, a questão talvez seja até mais grave. Segundo consta as razões do processo na Justiça não são atrasos de pagamento mas os escândalos em torno da Petrobrás. Ou seja, corrupção.

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